Dor

Mesmo que a dor seja tão grande
Amo-a
Pelo menos ela me faz companhia
E me mostra o quanto eu estou vivo
O quanto sou humano
O quão quero o que quero
Por isso, amo-te dor
Mesmo que eu deseje desesperadamente que se acabe

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Vingança

Então,
Ir contra a norma te assusta?
E ser você mesmo é muito arriscado?
Então se foda e morra com uma lança enfiada goela abaixo
Você merece isso
Lute pelo que você sente
Não se acomode no lugar que lhe foi dado
Esse lugar mesmo arrumado por seus amigos e família
Esse cômodo lugar onde só trouxas ficam
Você odeia ser confundido com quem você é de verdade
Ama o personagem
E vive na mentira que criaram pra ti, que conveniente!
Pois isso é queimar no inferno em vida, e você tem direito a isso
Negue a si mesmo
Negando assim o que você foi criado sendo
Negando a própria vida que lhe foi dada
E quando o fim vier, o fim virá mesmo
As lembranças que restarão não serão você
Engane todo mundo
Faça crerem
Mas se descobrirem, ah, se descobrirem…
O clima muda para sangue e tripas com possibilidade de atropelamentos pela manhã
Ou seja, muita rejeição
E por que você deveria se importar?
Eles amam o que você finge ser, o personagem
Eles não te amam
É importante porque é mais fácil?
Então é um covarde e entrou em contato com sua autonegação interior
Esconda, esconda-se, esconda-se
No fundo de seu peito
Não deixe sair
Deixe o sangue correr das feridas que serão abertas
Corra pra não enfrentar a exposição
Perca seus sonhos, perca sua força de vontade
E então simule uma que seja bem aceita
Terá muita felicidade, mas muito sofrimento
Coma todo o lodo ferroso das palavras que te ferirem
Porque elas são dirigidas a você de verdade, não ao personagem
Engula a farsa cada dia mais, até ela se tornar real
Mas não se engane, pois real nunca será
Acredite no que sua mente vai dizer a seu coração dia após dia
E então viva essa fé inabalável que vai te levar até o limite
E esse limite não vai suportar
Vai destruir sua vida e talvez a de outros
Mas o problema é seu e não rirei de algo tão patético
Se humilhe por facilidade
Dê a face para que o medo volte para te morder por trás
A face da inverdade
O medo da incapacidade de compreensão
Mas é bom saber que é se aliar ao inimigo
Finja que é bom o suficiente para quem só aceita um lado
Tente esquecer que não existe bom o suficiente
Tenho certeza que conseguira e terá uma bela vida pública…
e uma terrível solidão particular
Crescente
Dormente aos olhos do personagem
Mas viva e pulsante e massacrante
Vai roubar sua vida até só restar um seco, vazio e torto personagem
A mentira vai ruir e os seus medos vão cair na balança
Não estou te agourando nem nada
É que num corpo não cabem duas pessoas
Faça o que você não quer fazer
Estará se dividindo em dois
E uma hora isso vai explodir você em mil pedacinhos
E cada pequeno pedaço do passado vai refletir nas mentes dos seus amigos
Revelando ambas as verdades de sua vida
Não faça o que quer
Faça só o aceitável pelas regras criadas por outros que não são você
Esses outros que não tem o que você tem dentro de si
Você irá invejar a grama alheia
Salivará pelo que alguém mais corajoso tem
Então tenha mesmo medo
Mas não medo de ser o diferente
Todo mundo tem coisas iguais e diferentes em sua composição
Se você tem algo que não agrada a outrem
Não esconda isso
Não, por favor, pelo amor de Deus, não aperte isso dentro de você numa masmorra escura
Lute, brigue feio
Ponha o futuro em jogo
Não se quebre em mil pedaços
Tentando entortar sua alma para dar a forma que você quer
Tentando encontrar uma brecha num lugar no mundo
Que não te aceita
Pode ser fácil entrar fingindo
Mas é impossível continuar vivo quando todos querem te matar
Pois lembrando que mata-se o ator, mata-se o personagem
Por isso com o tempo até a farsa se tornará vidro fosco
Por que não entrar à força?
Você não é o bonzão?
Ou é só um covarde?
Então arda na sua mentira
Queime sua língua com a pimenta de suas próprias palavras que vão ferir o ser encolhido nos profundos de seu coração
Asse o pão da sua derrota no forno dos seus atos medíocres cheios de idéias vindas de mentes que não te querem
Enquanto isso
Toda sua vida será perdida

Esperança

Pense que sonhos são possíveis
Desenhe os seus
Que esse desenho seja o espelho de sua alma
Agora apague-o
Você está errado
Sonhos morrem.

Esperança é nunca desistir de algo
Esperar
Se se espera não acontece
Esperança é esperar algo inalcansável

Dor só é conhecida no amor
Desistir é acetar morrer
Estou desistindo agora
As lágrimas caem e molham o não
Antes impensável agora já imaginável
O não me consome

Tudo que eu queria e esperava ouvir
Agora esquecer
Tudo que eu podia dar ao mundo
Descobri não ser possível para minhas forças
Tudo que esperam de mim é falho
E tudo que o mundo podia me dar morreu

Morreu no momento em que aceitei não ser feliz
Sou agora apenas uma esperança que de lutar cansou
E de esperançar desistiu

Um dia eu sei, eu vou cair
Já por muito esperei esse dia
Pois já não agüentava esperar
Agora sinto minha dor me derrubar

Escrever é meu desabafo
Dor é meu castigo por desistir
Esquecer me é impossível

Leia nos meus olhos o amor
Verá que cansei de esperá-lo
Serei infeliz e sei e não mais importa

Nunca me foi possível amar e ser amado
Não me foi possibilitado o dom de despertar amigos
Não tenho nada de mais
Nem de mau
Mas bons também sofrem

Não peço mais nada
Mortos não pedem jamais
Não nego mais a mim a falha da crença
Não desejo mais sabedoria dos sentimentos de ninguém por mim
Nem quero desesperadamente terminar escritor
Nem quero terminar bem
Me conformo em terminar
E que não demore
Não, já não espero mais nada

Mas ainda tenho a tal maldita esperança, e dolorosa
Maldição!, eu quero ser salvo.