Chama Alada (Incompleto)

Capítulo 1: Ponto de Encontro


1 – Ponto de Encontro

*Existem anjos. Pessoa que nos protegem, até de nós mesmos. Mas às vezes nos achamos fortes demais e afastamos nossos amigos. Outras vezes, os encontramos.*

É estranho, senti como se minha vida estivesse começando agora, que ia arrumar um emprego. E embora tudo que eu sentisse era temor pelo que eu poderia sentir em breve, eu me impulsionava. Terminei o ensino médio e agora… estava mentindo pela enésima vez de novo para mim… só a pressão exercida pelos outros sobre mim me fez decidir por este caminho. Mas admito que é o caminho necessário a qualquer um.”

Vinícius chegou cedo ao seu novo emprego, no Popcorn Bar. Seus pensamentos ricocheteiam entre frases que estabeleceu para serem ditas, fazer o que tem que fazer finalmente, ter novas oportunidades de viver e medo do novo. E seus sentimentos são anseio de viver e desorientação sobre como agir. Mas sabe que tem que agir. Mesmo que por obrigação.
Vini entrando no bar: _ Lá vamos nós de novo… falando sozinhos. _ irritado consigo mesmo: _ É idiota, pare de fazer isso! Que costume besta, se alguém vir… “deve ser uma pessoa muito solitária”, vão pensar!
Distraído com essa conversa, ele esbarra em um garçom. Se olham nos olhos e Vini desvia como qualquer tímido faria. Mas o garçom estava com uma bandeja e a deixou cair.
Vini, como bom moço, o ajuda a catar os cacos e restos.
Vini: _ Nossa, que ótimo começo, Vini, já entra no bar vazio trombando com as pessoas!
O moço se apresenta: _ Melhor você parar de falar sozinho, já que você não está sozinho. Meu nome é Fabrício.
Se dão as mãos.
Vini olhando o chão: _ Eu te atrapalho, te ajudo, você me faz uma crítica construtiva… dois a um, ainda te devo uma.
Fabrício olha a cara dele, pegando ainda um caco no chão, para se abaixar, para olhá-lo: _ Tem certeza que não saiu de seu rumo procurando um convento?

“É, essa é a apresentação de personagens, começando com o contraste entre o eu inicial, na vida, e o meu oposto Fabrício DeLore. Digo isto porque, diferente de mim, ele já sabia o bastante da vida para saber o que quer e ser decidido. E ainda ser capaz de me assustar como me assustou. Depois de meu encontro com ele, eu fiquei esperando que alguém me avisasse que não eram maníacos-homicidas de 3 metros que se reuniam ali. Um careca de personalidade que se abaixa pra te olhar no olho é excêntrico… para mim. Eu to parecendo bobo, Vinícius bobão. Isso me traz lembranças. Eu apenas me limitei a olhá-lo, sem responder à questão, eu nem o conhecia.”

_ Você não me disse seu nome. _ perguntou.
_ Vinícius. Você trabalha aqui? _

“Minha vergonha estava me atrapalhando a pensar.”

_ Não, só vim vestido de garçom aqui enquanto não está funcionando pra fugir da polícia.
Vini: _ Há, há. _ começando a gostar dele: _ Vamos ser colegas de emprego. Só que eu vou ficar atrás do balcão.
Fabrício: _ Então vai se arrumar. Daqui a pouco enche. E eu espero que você olhe pra frente ou vai cair com a bandeja no colo de algum cliente e só Deus sabe o que esse cliente vai aproveitar pra fazer com você no colo dele. _ ri, mas percebe que o outro levou a sério: _ É brincadeira, vem.
Sai andando e Vini o acompanha.
Algumas pessoas iam entrando quando Vini entra na parte de trás do bar por uma pequena porta. Um homem gordo, como se imagina de todo homem de bar, o atende e Fabrício volta ao serviço.
_ Oi, Vinícius.
_ Oi… Tom? _ perguntando um nome esquecido.
_ Tom. Você já pode começar. Vista esse avental. Eu já te passei as instruções no outro dia, não passei? Vai lá. Ah, você tem uma colega atrás do balcão, a Mel. Ela pode te ajudar no que for preciso.

“Finalmente uma mulher é citada. Eu estava começando a me preocupar. Mas, ainda é tempo da apresentação de Tom. Tom, meu chefe, enérgico como foi visto, focado, até agora tudo que eu podia ver através das atitudes dele eram as próprias atitudes dele, pelos motivos simples e práticos que demonstravam. Estava fácil entende-lo. Parecia superficial, mas de um jeito bom.”

O bar já começou a ficar cheio e algumas pessoas já pediam cerveja. Vini sente que já se arrependeu de ir trabalhar, e não quer fazer isso nunca mais na vida, mas ele continua, esperando se acostumar a estar num lugar onde pode ser olhado, sendo parte da minoria que são os trabalhadores de lá. Minoria, claro, porque tem muito mais clientes que trabalhadores, e sendo assim ele se sente em destaque. E isso o incomoda.
Vini: _ Mel, duas cervejas para a garota de vermelho. _ trabalhando.
Mel apenas ri da falta de jeito dele.
Mel: _ Calma, com o tempo você pega o jeito.

“A Mel é assim. Simples. Será que eu estava achando todo mundo simples?! Digo, humilde, sei lá. Ela parecia ver a vida com uma clareza excepcional. Apesar de gostar de fofoca, e talvez isso a deixasse entender a vida melhor. …Mas o que eu fui fazer no meio de um bar lotado?”

De-repente um rapaz entra no recinto acompanhado de uma moça. Ela vai até uma mesa onde alguns amigos dela estavam sentados e ele vem até o balcão. Vini os reconhece e parece assustado.
O rapaz vê Vini e começa a gritar alto: _ Vini, bobão! Quem diria que eu iria encontrar Vini bobão! _ e várias frases terminadas com Vini bobão.
Vinícius, tentando contornar a situação: _ O que você vai querer, Marcos?
Marcos não se intimida: _ Sua pobre e indefesa alma.

“Marcos era um terror na escola. E eu pensei que só por lá, que tinha acabado, agora que eu havia terminado o ensino médio. Marcos era um valentão, e onde quer que encontrasse alguém para atazanar, por diversão, para compensar alguma coisa, eu acho, ele o faria.”
Mel vê condescendente a cena e diz, com intimidade, a ele: _ Marcos, por favor, comporte-se, deixe ele trabalhar em paz. _ parecia muito mais velha do que sua aparência permitia sequer supor.
Marcos: _ Mel, agora ele é sua próxima vitima, é isso?
Vini para Mel: _ Vocês se conhecem?
Marcos: _ Ora, ela já foi minha presa sexual. _ se arrepende de ter dito isso no impulso que teve por fazer corar Vini, mas não tem coragem de demonstrar.
Mel: _ Você é um idiota, Marcos. O maior desse bar, eu acho. _ desafiando protegendo sua honra também sem querer.
“Os ânimos estavam se levantando. Eu fiquei quietinho, como alguém que não precisava estragar um primeiro dia de serviço. As pessoas em volta estavam todas passando o olhar para o balcão da discussão. E eu estava cada vez mais em evidência. E Marcos ainda voltaria o olhar para mim para dizer provocações. Sabendo disso, talvez, eu não me contive. Mel seria minha parceira de serviço daquele dia em diante, e eu precisava fazer alguma coisa.”
Vini: _ Marcos, deixa ela em paz, seu problema é comigo.
Mel: _ Que problema, aliás?
Marcos: _ Ele é um bobão, débil mental. Esse é o problema dele.
Vini: _ Marcos era meu colega de sala, e gostava de me implicar.
Marcos: _ Eu gostava de te ajudar a reagir.
Vini, com súbita coragem: _ Por que você não se ajuda a reagir contra seu cérebro diminuto?
Marcos atravessou rapidamente o balcão e deu um soco rápido em Vini, sem que este sequer pudesse antecipar.
Marcos: _ Nunca mais fale comigo desse jeito!
Mel: _ Por favor machos dominantes, comportem-se! _ brava
vini se encosta mais à parede para ficar mais longe do balcão.
Marcos se aproxima mais do balcão.
A mulher que chegou com ele toca o ombro dele como se tentasse acalmar um bicho fora de controle.
“A primeira doce visão de Vitória. Uma garota muito sensual, claro. Mas de personalidade. Ela gostava de andar com todos esses caras que botavam medo, porque ela podia. Mas eles sempre tinham algo mais além da óbvia testosterona. Vitória me protegia de seu namorado na escola. E eu a tinha como uma mãe, em alguns sentidos, porque era impossível ignorar tanta beleza.”
Vitória: _ Marcos, você não toma jeito. É mesmo necessário que eu tenha que te acalmar todo dia na cama antes do sexo?
Vini se engasga com a inusitada conversa.
Marcos: _ Você é tão boa nisso.
Vitória: _ Mas vou acabar te deixando caso sua raiva te faça amolecer.
Marcos: _ Tantas ameaças, tantos sentidos em uma só frase.
Vitória, para Vini: _ Desculpe por isso, Vinícius. Aliás, a gente sempre vem aqui, mas nunca tinha te visto.
Vini, tentado parecer descontraindo: _ É meu primeiro dia.
Vitória: _ Isso não vai te causar problemas, vai?
Marcos: _ Desculpa, aí, cara! _ “controlado, ele podia ser outra pessoa, eu disse que havia sempre mais nos caras da Vitória” _ Eu me exacerbei.
Vini: _ Tudo bem, eu acho que… _ demora demais pra pensar em algo: _ levar um soco é pouco pra uma briga de bar.
Marcos, descontraindo de verdade: _ Briga de bar? Não exagere. Mel, me desculpe!
Mel se vira de costas.
Marcos e Vitória se vão.

“Então é isso, minha primeira noite parecia um presságio.”

*Os amigos, às vezes, aparecem na forma de inimigos. Mas nós nunca podemos perceber o quanto uma pessoa é de anjo, ou de demônio. Talvez não saibamos o que é bom para nós. Acreditamos nisso, mas se não realmente nos avaliarmos, as coisa podem ficar confusas. Onde alguém tenta te fazer bem, pode acabar te mimando e onde alguém tenta te libertar, você pode interpretar como maldade.*

2- Guitarra
“Às vezes nós deixamos nossos sonhos sobrepujarem a nós mesmos, e tudo certo, eles também fazem parte de nós. Mas deixar que eles nos façam deixar coisas importantes em prol deles é decisão nossa. E é uma decisão errônea.”

Vinícius acorda e, indo ao banheiro, derruba o celular, que estava a seu lado na cama, no chão.
Vini: _ Você… é um celular muito, muito malvado.
A mãe vem chamá-lo no quarto.
_ Filho, você poderia me emprestar uns 20 reais?
Vini saindo do banheiro após a higiene: _ Mamãe, eu mal comecei a trabalhar.
_ Mas filho, são 50 reais por dia.
Vini: _ E três vezes por semana. E o meu primeiro… salário… você já quer gastar?
_ Não, meu filho… _ ia falar algo, mas deixa pra lá e sai.
Vini, pensando na frase que disse, nem percebe que ela deixou de dizer algo.

“Dona Suzana é uma pessoa interessante. A melhor mãe do mundo, uma coisa clichê. Ela lava, passa,trabalha fora de doméstica de casa chique e faz isso tudo muito bem. Mas ela também, às vezes, pode ser desmazelada, deixando passar coisas importantes por pura distração.”

Vinícius termina de se vestir e vai até a cozinha fazer seu desjejum.
O pai chegando nele: _ Filho, você já andou vendo as guitarras?
Vini: _ Não. Vou hoje.
_ Como foi o serviço ontem?
Vini, lembrando da briga: _ Interessante.
_ Interessante?
Vini: _ Foi normal, pai, só normal. _ “Há muitas definições de normal”.

“O meu pai, Damien, é um cara legal. Cara, no sentido jovial da palavra. Alguém com quem eu posso conversar. Alguém que pode mudar de idéia e não ter autoridade pra ser um pai exemplar. Mas eu sou o tipo de filho que dá essa autoridade a um pai desmerecedor.”

Damien gritando quando a campainha toca: _ Atende!
Vini atende e uma moça vai entrando.

“A apresentação de personagens estava demorando a acabar. Mas aqui ela termina, com Joanna, que vocês vão poder ver como é.”

Vini: _ Joanna.
Joanna: _ O que é? Esperava que eu batesse na porta?
Vini: _ Você tocou a campainha.
Joanna: _ Mesmo? _ ela havia esquecido, mas até ela se surpreendeu de ter feito isso _ Isso deve significar que seu pai está em casa e eu vi e sei que não dá pra fazer sexo.
Vini: _ Joanna, pára, eles vão acabar acreditando nessa sua loucura.
Joanna: _ Uma vizinha tentadoramente sexy pode sonhar, não pode?
Vini: _ Alguma coisa especial te traz aqui?
Joanna: _ As pernas. Muito especiais. _ levanta a saia.
Vini: _ Você não tem mais o que fazer? Existem outros vizinhos.
Damien chegando na sala: _ Fode ela logo.
Vini: _ Pai!
Joanna: _ Eu tenho minhas suspeitas de que você seja gay. _ para Vini
Vini: _ Não.
Joanna já mudando de assunto: _ Mas, então, Vini, será que você hoje podia me levar no seu trabalho pra gente curtir? Você nunca sai.
Vini surpreso: _ Joanna! É meu emprego. Tra-ba-lho. Eu simplesmente não posso…
Damien: _ Ele te leva, mas você se comporta. _ e para o filho, sem deixar que ela ouça: _ Use camisinha. _ “Será que alguns pais não percebem que às vezes tentar ser moderno faz deles assustadores?”
Joanna: _ Te pego à noite, talvez em mais de um sentido. _ ele ia falar algo, mas ela sai sem deixar Vini responder.
Vinícius vai para seu quarto, troca de roupa e sai.

“Joanna nunca teve nada comigo, devo informar.”

Chegando na loja de instrumentos musicais, Vini encontra uma linda guitarra vermelha.
Vendedor: _ Oi, meu nome é Márcio, você estaria interessado em algum instrumento?
Vini: _ Todos, pra falar a verdade. A guitarra vermelha principalmente.
Vendedor: _ Toca ela. Pra você ver como ela é.
Vini pegou cuidadosamente a guitarra e a tocou. O som suave porém intenso preencheu o ambiente.
Vini: _ Demais. Quanto custa?
_ 200 reais à vista, e não dividimos.
Vini embasbacado: _Uau, eu… preciso pensar. Aliás, eu preciso ir. Mas eu volto. _ sai deixando o vendedor Márcio com a mesma cara que ele ficou quando ouviu o preço do instrumento.

“Eu amo tocar guitarra. Meu sonho é formar uma banda mas no instante seria uma banda de um homem só. O preço alto de um sonho distante. Mas talvez eu pudesse… afinal… ta certo, eu tenho que ajudar meus pais. Mas eles precisam mesmo? Eles sempre sustentaram a família sem mim, e o dinheiro era meu, do meu trabalho. É um pensamento egoísta. Mas nada de ruin iria acontecer, afinal seriam só alguns salários, depois eu os ajudaria.”

À noite, Joanna fica colada a Vini no ônibus, ambos de pé no ônibus lotado. Ela o abraça.
Vini: _ Não ta tão lotado assim, Jô.
Jô: _ Me chama de Jô e eu te chamo de Vi, que lindo! Mas, sério, eu tenho medo de lotação.
“Medo de agarrar o vizinho em público ela não tem.”
Vini chega e tenta se livrar dela indo até Fabrício: _ E aí, Fabrício, tudo certo?
Fabrício andando levanto copos vazios até o balcão: _ Cuidado ou serão dois dias em que você me fez derrubar coisas.
Vini o segue resignado: _ Posso te ajudar.
Fabrício: _ Você quer trocar o meu emprego pelo seu?
“Não. Atender mesas. Jamais!”
Joanna se botando entre os dois: _ Me apresenta o seu amigo e/ou parceiro sexual, Vi!!!
Vini: _ Desde que ela passou a comer os remédios da avó, ela é essa coisa. _ explicando a Fabrício.
Fabrício: _ Ta, só faz o seu serviço. Vai lá. Mas deixa o seu _ olha bem ela, silencioso, ela não pára um instante: _ Bicho de estimação porta afora.
Vini: _ Fica aqui, divirta-se Joanna.
Ele entra.
Joanna para Fabrício: _ Você e ele já se conheciam?
Fabrício: _ Não. E você e ele?
Joanna: _ Claro, ele é meu vizinho.
Fabrício: _ O mal de se viver nas cidades, vizinhos. Então, você é vizinha dele há tempos?
Joanna: _ Pare de ser cítrico!
Fabrício: _ Eu não sou cítrico, alcoolizado talvez. Deseja alguma coisa, senhorita?
Ela se senta numa mesa por perto: _ Pede ao Vini um chop.
Ele sai.
Fabrício para Vini, já trabalhando: _ Ela é um saco.
Vini: _ Você não viu nada.
Mel a olha, olha os dois: _ Vocês dois, comportem-se!
Vini entrega a ele o chop dela.
Vini para Mel: _ O Fabrício te olha de um jeito…
Mel: _ Ele e eu já… tivemos algo.
Vini: _ Ah, que bom que isso acontece por aqui! _ se arrepende. _ Não que vá acontecer comigo. Mas…
Mel percebe o nervosismo dele: _ Você precisa de autoconfiança. E eu acho que sei quem tem isso de sobra pra você. _ olha Joanna.
Vini: _ Ela é doida.
Mel: _ Exatamente.
Vini: _ O que você está dizendo? Que só uma doida ia me querer?
Mel: _ você que interpretou isso. Uma doida para te fazer enlouquecer um pouquinho… e ficar normal.
Vini atende alguém.
Mais tarde, Joanna estava bêbada.
Vini: _ Fabrício, fica no meu lugar também, me cobre, por favor!
Fabrício a olha e entende: _ Vai lá. _ e Vini vai levar Joanna pra casa.
Ônibus ( vazio dessa vez). Ela dorme recostada nele. Ele se senta no banco de trás.
Um estranho rapaz de cabelos longos loiros chega nele. _ Oi!
Vini: _ Oi!
_ É… eu vi você tocando no Rufus hoje.
Vini: _ Rufus?
_ É, tocando guitarra.
Vini: _ Ah.
_ Você toca bem. Eu fiquei meio impressionado. Eu gostaria que você tocasse com minha turma na garagem da minha casa. A gente precisa de alguém como você. É só uma vez… prometo.
Vini: _ Mas… eu não sei se eu estou à altura. Eu nunca toquei com ninguém.
_ E você nem me conhece. Mas a gente pode tentar. Aparece por lá. Eu vou anotar o endereço. _ tira um pedaço de papel de um caderno dentro de uma mochila e uma caneta e anota. _ Aparece lá amanhã à tarde. Eu tenho um dever de biologia e depois a gente vai tocar.
Vini: _ Eu vou ver se apareço. Ainda bem que não é matemática.
_ É. Você ainda estuda? Quer dizer, quantos anos…?
Vini: _ Eu tenho 18, acabei de acabar.
Ele se senta ao lado de Vini e conversam a viagem inteira sobre matérias de escola. Vini fica sabendo que o nome dele é Aleph.
Chegando em casa, Vini ouve uma conversa entre sua mãe e seu pai, endividados.

“Eu nem percebi isso. Como pude ser tão insensível! Tentando realizar meu sonho, eu bloqueei até os pedidos de socorro em olhares e comportamentos de meus pais. Eu bloqueei qualquer coisa, mesmo que eu não quisesse, que me impedisse de comprar a guitarra. Não devia ser assim. Eu não queria ficar cego pelo meu sonho. Ficar cego de egoísmo desmedido. Egoísmo escondido por trás de camadas de “sonhar é certo”. Mas isso não vai se repetir”.

3- Saía Descompromissada.
“Às vezes a gente se surpreende com coisas fora do círculo de coisas que a gente conhece na vida. A gente só consegue imaginar, conceber e realizar fatos que já se chocaram impactantemente com a gente na vida. As outras coisas, nós podemos simplesmente ignorar. Às vezes, somos surpreendidos por choques novos, choques que não podemos controlar.”

Vini atende uma ligação de sua turma.
Vini: _ Oi, Gente, vocês de novo? Vocês saem todo fim-de-semana. Todo fim-de-semana é aniversário de alguém?
Fabrício: _ Aniversário da vida. Mas nesse eu não vou deixar você recusar… não de novo… e provavelmente nunca mais deixarei. Hahaha Agora cala a boca e só escuta. Falar te faz mal. _ “E calar me faz idiota”.
Fabrício prossegue no que deseja que seja um monólogo: _ Haja funerais pra você ficar de luto em casa, hein rapaz! Sai um pouco por conta própria! Hoje vamos sair só eu, você e a Mel, e ela vai te iniciar nos importantes ensinamentos de Budá. Porque ela dá.
Vini ia protestar, mas Fabrício percebe e impede: _ Você vai poder sentir o gosto do Mel. Eu estou arranjando isso pra você.
Vini: _ Fabrício, você acha mesmo que ela não é capaz de perceber uma coisa dessas? Você é tipo transparente pra ela!
Fabrício: _ E eu vou te considerar arco-íris se você insistir em desculpas pra acreditar que eu não consigo fazer você ter uma transa.
Vini se surpreende e fica mudo.
Fabrício: _ Até a noite! _ e desliga.
Vini para si: _ A gente nem marcou data e local!
Mais tarde, Vini, entediado, decide iniciar uma sessão de videogame no seu quarto. Mas no meio da jogatina, sua mãe o pára, gritando.
Vini vai ver o que ela quer. Ela pede que ele pegue o ferro de passar da vizinha emprestada.
“A mãe de Joanna. Eu sempre me meto nessa roubada. Minha mãe não cuida bem de suas coisas e eu tenho que ir pegar coisas na casa da doida. É como ser mandado para um exército de luta contra mortos-vivos sedentos de sangue desarmado.”
Joanna atendendo o vizinho à porta: _ E aí, quer entrar?
Vini: _ Sim.
Joanna: _ Onde você quer que eu tire a roupa?
Vini assustado: _ O quê?
Joanna: _ Você disse que ia entrar em mim.
Vini: _ Na casa. Joanna, você não pensa em outra coisa?
Joanna: _ Claro, eu quero casar com você.
Vini: _ Sua mãe está?
Joanna: _ Por quê? _ com ciúmes da mãe, imaginando coisas.
Vini: _ Minha mãe quer o ferro de passar roupas dela emprestado.
Joanna: _ Vou chamar. _ e o deixa a sós.
Vini para si mesmo, se sentando: _ Ai, que coisa doida, ainda bem que a Joanna nem imagina que eu vou sair hoje. _
Joanna atrás dele: _ Ai, você vai? Eu vou!!! _ “Que foi que eu fiz?!”

Mais tarde, após Vini passar o dia no quarto dele jogando videogame e vendo TV, ele se apronta e vai saindo. Ele estava andando quando encontra Joanna. Ela vem correndo e sem cerimônia o agarra. Ele pega seu celular, se desagarra e liga pra Fabrício.
Vini: _ Oi, Fabrício!
Joanna grita: _ Oi, Fabrício!
Vini: _ Fica quieta.
Fabrício: _ Uai… você está acompanhado?
Vini: _ Minha mãe me mandou passear com os cachorros.
Joanna: _ Não faz assim. Não seja cruel.
Mel, do outro lado: _ É. As pessoas mudam, se você ajudar. _ “Não quando estão no cio”.
Vini: _ Onde eu encontro vocês?
Mel ia falando, mas Fabrício a interrompe: _ No motel.
Vini e Mel: _ Fabrício!
Fabrício: _ Não se pode mais brincar.
Joanna: _ Gostei da ideia.
Vinícius a olha com cara de reprovação. Mais tarde, eles chegam na boate Hansos. Mel e Fabrício estão na porta.
Vinícius: _ Hum, um número igual, dois a dois.
Fabrício: _ Você está contando com a Joanna? Eu estava pensando em despistar ela, talvez depois de embebedá-la.
Mel: _ Fabrício, eles podem pensar que você está brincando, mas eu sei que você já fez isso, e é uma coisa muito cruel. _ “Meus amigos estão todos aqui. Meus únicos amigos. Eles estão disputando minha atenção. Eles não sabem qual é a minha, então estão tentando me influenciar a ir na deles. Eles querem saber de quem vou ser o melhor amigo. Ele não se importam se eu tenho opinião própria. Talvez me embebedem pra me descobrir. É comum influenciarmos as pessoas pra gostarem do que a gente gosta. Mas é comum eu não demonstrar resistência?”
Entram na boate.
Fabrício: _ Você vai adorar!
Entram e Vini se assusta com o barulho e o ambiente. Joanna pula nele e o beija. Vini se afasta dela e se perde empurrado pro meio do povo.
Mel para Joanna: _ Joanna. Não é assim que se faz.
Joanna: _ O que é? Agora ele vai achar que eu sou fácil?
Fabrício: _ Se ele fosse só achar… _ e sai puxando Mel pelo braço para dançarem. Joanna sai procurando Vini.
Vini, no meio do povo, é jogado pra lá e pra cá, quase caindo.
Mel: _ A gente não devia procurar o Vini?
Fabrício: _ Deixa ele se virar. Sentir sua falta. Aí você imita a Joanna depois.
Mel: _ Fabrício, eu não estou interessado nele.
Fabrício a puxa para mais perto de si: _ Então quem você quer?
Mel: _ Eu não quero você, também. Eu estou bem. Eu só quero me divertir. E eu acho que é o que ele quer também. Mas e você, o que quer?
Vini chega em um sofá num canto e se joga, pra depois ver que duas mulheres estão se beijando. Ele fica ali, pois não sabe o que fazer. Vini: _ Como é que eu vou encontrar o pessoal?
Pega o celular como ideia e tenta ligar, mas nem os bipes de chamada ele ouve. Vini se levanta pra procurar ver o pessoal, mas nisso ele esbarra com um punk e a bebida desta se derrama sobre sua camisa. Vini, sujo, vê uma porta que ele imagina ser o banheiro e vai até lá.
Joanna procura Vini por todo lado. Ela vê Mel e Fabrício.
Fabrício: _ Mel, eu não sei, também. Por enquanto, meu único plano era juntar vocês dois. _ e saindo de perto dela: _ E ainda é.
Joanna chega em Mel.
Joanna: _ Me ajuda a procurar o Vinícius?
Mel: _ Tá.
E vão.
Mel para e a segura: _ Jô, vem comigo. _ e a sai puxando. Elas são carimbadas e saem da boate.
Joanna: _ Que foi?! _ surpresa e amedrontada.
Mel: _ A gente precisa conversar. Antes de mais nada, você é virgem?
Joanna: _ Não eu… tá bom, eu sou.
Mel: _ E você é mesmo apaixonada pelo Vinícius?
Joanna: _ É.
Mel: _ E o que você pensa? Que vai impor seu amor a ele? Que ele te ama mas não sabe? O quê?
Joanna: _ Mel… eu preciso apoiar minhas esperanças em alguma coisa. No momento elas estão no ar…
Mel a interrompe: _ Escuta, não é facilitando as coisas pra ele ao máximo que você vai conseguir sair dessa. Ele pode não saber que o que você sente é serio. _ ia saindo e entrando de volta à boate.
Joanna a pára com uma pergunta: _ E o que você vai fazer? Conta pra ele?
Mel: _ Eu vou sondar ele pra você.
“Enquanto isso, eu, desavisado das conspirações amorosas alheias constantes a meu respeito, tento assimilar minha tentativa de ser o que eu acho que devo ser. Mas agora eu penso: porque não simplesmente perguntaram a mim? Porque as pessoas tem manias de querer faze as coias e saberem das coisas de maneiras diferenciadas, mais astutas, pra vencerem na concorrência de todos os seres humanos contra todos os seres humanos. Se me perguntassem quem eu queria, na época eu não saberia responder. Se fosse obrigado, eu escolheria a Mel.”
Fabrício entra no banheiro e se depara com Vinícius.
Fabrício: _ Cara! Eu imaginei que você fosse vir parar aqui.
Vini: _ C-Como?
Fabrício: _ Banheiro. Território seguro dos homens.
Vini: _ Eu não devia ter vindo parar aqui com vocês. Eu devia começar com coisas mais leves.
Fabrício: _ Começar como? Começar o quê?
Vini: _ Sei lá, a vida.
Fabrício: _ Aquela que começou quando saiu da barriga da sua mãe? Ou aquela que começa com coisas como essa? _ o agarra e o dá um beijão na boca.
Mel e Joanna procuram Vini e Fabrício na boate. Mel: _ Joanna, quando a gente encontrar eles, pede desculpas pelo beijo.
Joanna: _ Por favor, não tira ele de mim.
Mel: _ Tranqüila. _ humorada;
Vini e Fabrício se soltam.
Vini fica mudo.
Fabrício: _ E aí?
Vini: _ Por quê?
Fabrício: _ Porque a gente queria.
Vini: _ O que você acha? De mim, quero dizer.
Fabrício: _ O que você acha? Você não vai brigar comigo?
Vini: _ Tanto faz pra mim. Você, a Joanna, a Mel…. eu só não quero ficar com ninguém por agora. Você… só… me… beijou… por… pra me testar?
Fabrício: _ Eu já disse. A gente queria. Eu também queria. Não é como se eu fosse te dar um perfume do boticário numa caixa cor-de-rosa com um bilhete de 224 palavras no dia dos namorados. Arruma o cabelo. Depois sai e me encontra no sofá pra gente procurar as meninas. _ e sai.
Vini: _ Eu não me conheço. Como eu não imaginei que eu queria isso, mas no fundo eu sabia que eu queria? _ põe as mãos nos lábios: _ Ninguém entra nesse banheiro? O povo bebe tanta cerveja e nunca…!
Vini encontra Mel, Joanna e Fabrício perto do sofá. Fabrício e Vini se olham. O olhar de quem esconde um segredo.
Joanna: _ Me desculpa, Vini, pelo beijo! Foi um ímpeto. _ ele se desculpa.
“Joanna se desculpando!? Que lugar é esse? Essa boate tem algo de mágico, pra ser onde pessoas se interessam por mim e Joanna pede desculpas por me beijar. Nesse momento eu não conseguia pensar direito. Eu não sabia se era normal eu não querer ninguém. Se é normal querer estar solteiro. Querer estar solteiro e não pegar ninguém. Mas eu queria beijar o Fabrício. Quantos outros desejos meus eu tenho e não sei? Quais? Eu não gostei do beijo da Joanna, mas provavelmente gostaria de um da Mel. Quem sabe não seja dela meu próximo, o 4º beijo da minha vida? Eu não sei que surpresas me esperam. Eu não sei que surpresas eu guardo pra mim.”

4- Envolvimentos.“Acordei pensando em dormir. Eu sei, isso é estranho. Mas eu queria poder dormir, realmente. E só acordar quando minha vida tiver algum sentido. Muitas vezes as pessoas se pegam pensando assim, porque eu não posso também? Ai, ai, se eu não fizer nada, nada vai mudar. As coisas não se mudam sozinhas, a vida é minha. Mas o que eu quero mudar?”Joanna atende correndo a porta, pensando ser Vinícius, pensando melhor sobre o beijo e descobrindo que a ama.
Joanna: _ Mel?!
Mel: _ Eu vim aqui pra gente dar um passeio… na verdade, pra você receber uma repaginação.
Joanna debochando: _ E ficar igual a você?
Mel brava: _ Eu pensei que tivesse ficado claro que eu não quero nada com o Vini.
Joanna: _ Você não. Mas e ele?
Mel: _ Joanna, eu sou colega de trabalho dele.
Joanna: _ O que só mostra você como uma adversária ainda mais difícil, convivendo com ele sempre. _ “Sempre escolhemos pessoas como rivais na vida. É uma maneira de tentarmos evitar que as pessoas nos passem pra trás. Às vezes temos um bom motivo, às vezes não.”.
Mel: _ Se ele quiser alguma coisa,eu não quero! Eu não sou sua rival!
Joanna: _ Claro que não! _ gritando: _ É só a puta com quem ele trabalha! É só a garota perfeita. Descolada, linda, não ama ele desde que eram crianças… _ quase indo ao choro.
Mel, perturbada: _ Joanna, eu não sei o que você espera de mim.
Joanna: _ Você não viu a maneira como ele te vê. Eu queria que ele não tivesse que conviver com pessoas como você, ou que ele só convivesse com você quando estivesse comigo. Mas isso não é possível, não é?
Mel: _ Pessoas como eu. Eu estou tentando te ajudar. Ele não te percebeu até agora. E eu acho que eu posso ajudar que perceba a pessoa que você é. Mas você me vê como uma inimiga. _ lágrimas rolam pelo rosto dela: _ Eu não devia me sentir mal por isso, mas sempre que eu tento ajudar alguém, eu sou mal interpretada. _ e sai. Joanna percebe que atingiu alguma coisa dentro de Mel, se sente culpada, mas gosta.
A mãe de Vini o pergunta quando ele passa por ela indo pra cozinha: _ Você ouviu uma gritaria aqui na porta?
Vini: _ Não. Deve ser algum vendedor de alguma coisa. Vou pro serviço, mãe! _ beija o rosto dela, passa na cozinha, pega uns biscoitos e sai comendo.
Ele chega ao Popcorn quando os garçons terminavam de arrumar as mesas. Mas ele não vê nem Mel, nem Fabrício. Ele vai pra trás do balcão. Fabrício aparece, vindo da adega com uns vinhos.
Vini: _ cadê a Mel?
Fabrício, colocando os vinhos dependurados na parede: _ Ela disse que iria tirar uma folga hoje. Você ainda vai ter a chance de dizer pra ela que os peitos dela são tão apetecíveis que são irresistíveis.
Vini: _ Isso será bem sutil de se dizer.
Fabrício: _ Ei, você não quer que eu dê uma mãozinha, fale com ela? Sondar ela, talvez?
Vini: _ No momento, eu acho que você tem mais o que fazer, atendendo clientes chegando. Mas, eu estou sozinho hoje? _ Fabrício olha e vê os clientes.
Fabrício: _ Ah, gente velha! Isso é um bar ou um asilo? Por que gente velha viria aqui?
Vini: _ Você não me respondeu. E além do mais, se você fizer o trabalho, vai descobrir o que eles querem.
Fabrício: – Você está ficando atrevido. Espera o Tom chegar e ele te diz o que fazer. _ olha os lábios de Vini, morde os seus e vai atender os clientes.
Vini para si: _ Agora eu estou com medo.
Mel chega em casa, a casa está vazia, porque está todo mundo trabalhando. Ela entra com sua chave e se senta no sofá. Seu celular toca. É Tom.
_ Oi, eu acabei de chegar no Popcorn, você não vai vir hoje?
Mel: _ Não.
_ Está tudo bem?
Mel: _ Está, é só estresse.
Tom: _ Está bem, eu vou mandar a Caroline vir pra te substituir.
Tom sai da despensa e fala com Vini: _ Ela não vai, mesmo vir, mas eu vou mandar minha filha substituir ela.
Vini, por impulso: _ Você tem uma filha? _ “Agora eu pareci um tarado, pronto a atacar a menininha do chefe por uma promoção”.
Tom: _ É. Ela não vem muito aqui, não é? Bom, você vai gostar dela.
Vini para Fabrício, passando por ele: _ Como é a filha do Tom? _ Fabrício passa tão rápido que nem nota, indo para a adega.
Vini: _ Estranho. Mas no caso do Fabrício estranho é o normal.
Uma moça, do outro lado do balcão: _ Pára de falar sozinho e me serve uma Coca.
Vini: _ Vitória?! Você por aqui?
Vitória: _ É, eu sei, eu não vinha aqui desde… _ fica constrangida
Vini: _ A briga.
Vitória: _ Eu vim te ver.
Vini: _ Vou pegar a Coca.
Ele entra pra despensa, pois não tem cocas no refrigerador detrás do balcão, então ele vai no da despensa, mas vai até a adega, curioso. Ele ouve Fabrício.
Fabrício: _ …mas Mel, dá uma chance pro cara. Ele é legal. … Ele não me quer, ele quer você. … O quê? A Joanna te disse isso?! Eu sempre soube que ela… Mel, eu não sei o que vai ser dele se não ficar com você ou comigo, ele é… _ “‘Eu não sei o que vai ser dele’?! eu sou o quê?” _ … É, você está certa. Eu estou sendo superprotetor. Mas antes de mais nada, ele e eu tivemos algo ontem à noite, eu me sinto responsável. … É, eu sei que eu não devia. Mas eu gosto muito de você e eu gosto muito dele. Eu acho que vocês dois deviam ficar juntos. … Tá bom, até mais, então. _ desliga. “Ele contou pra ela!”.
Vini tenta se esconder.
Fabrício o vê: _ Quanto tempo você está aí?
Vini: _ Nenhum. Eu fui buscar uma Coca, aí decidi vir ver porque você sumiu. _ Fabrício fica desconfiado que ele ouviu o telefonema, mas guarda para si.
Vini pega a Coca e leva para Vitória: _ Você demorou.
Vini: _ Tava falando com um amigo. _ Fabrício ficou por perto para investigar e ouviu ela dizer que ele demorou. Ele serve uma mesa.
Chega a hora do almoço.
Vini avisa a Tom que já está indo. Fabrício avisa a Tom logo depois, correndo, e vai atrás de Vini:
_ Eu sei que você me ouviu no telefone.
Vini: _ Está tudo bem vocês tentarem ser donos da minha vida.
Fabrício: _ Desculpa! É que você parece precisar de atenção, você parece precisar de ajuda pra tudo!
Vini: _ É, eu sei disso. Você disse… você… realmente você ficaria comigo?
Fabrício: _ Eu não tenho mais nada pra fazer.
Vini: _ Eu ouvi você falando com a Mel. Pareceu que você a ama.
Fabrício ri: _ Você está com ciúmes e imaginando coisas. Fabrício não se apaixona por ninguém que não faça sexo de maneira alienígenamente boa.
Prosseguem andando e conversando.
Vini: _ Alienígenas, hum. Então, o que a Mel te disse sobre mim?
Fabrício: _ Ela está tentando deixar o caminho livre pra Joanna. Eu percebi isso. Ela está se esforçando pra não perceber que você gosta dela. Mas é só você ir demonstrando aos poucos, e ela vai acabar tendo que aceitar isso.
Vini: _ Obrigado. E até onde exatamente você vai comigo? Sua casa é por esse lado?
Fabrício: _ Até aqui. Tchau! _ e sai correndo pro outro lado.
“É bom ter um amigo. Um amigo que percebe o quanto você é capaz de ser machucado, o quanto você é frágil. A maioria das pessoas é muito quebradiça, mas a maioria finge e esse fingimento é mais real do que se fossem mesmo fortes. Elas abrem uma parede de vidro fosco capaz de fazê-las parecerem muito fortes. Mas todo mundo é mais fraco do que parece. Ter um amigo que percebe isso em você é o máximo!”.
Fabrício vai até a casa de Mel.
Ela atende e se assusta: _ O que você veio fazer aqui?
Fabrício: _ Por que essa agressividade?
Mel: _ Foi uma pergunta retórica, a minha, sabe? Eu sei que você pensa erroneamente que eu só posso ficar ou com você, ou com o Vini, mesmo vocês dois não sendo as duas últimas pessoas da face da Terra. E mesmo que fossem… _ pára, se percebe tagarelando e deixa ele falar: _ Fala alguma coisa. Talvez “tchau”.
Fabrício: _ Não é só porque a Joanna te magoou que você tem que entrar nessa linha defensiva.
Mel: _ Você acha que está falando com quem? O que há com você? você não gosta de mim, até quando a gente namorava você dizia isso. Agora você me quer só porque outro rapaz se interessou por mim.
Fabrício: _ Então você decidiu parar de fingir que não percebe os sentimentos do garoto.
Mel: _ Eu não posso fingir o tempo todo. Mas ele não é meu. Ele é da Joanna.
Fabrício: _ Essa sua mania de ficar protegendo as pessoas, querendo ajudar. Alguma vez você já pensou no que quer?
Mel: _ No momento, eu quero ficar sozinha.
Fabrício: _ Pensando na tragédia que aconteceu na sua casa, que você tentou ajudar mas fez as coisas ficarem piores, ou no que você causou…?
Ela o interrompe: _ Não importa pra você.
Fabrício: _ Eu vim pra gente fazer alguma coisa juntos.
Mel ri, esgar: _ Até parece! Você quer fazer alguma coisa comigo… você quer se assegurar de que seus encantos são maiores do que os do Vini. Quem diria que um simples garoto te deixaria tão inseguro quanto à sua superioridade no emprego… o despachado Fabrício… só fachada.
Fabrício: _ Eu estava pensando… em a gente ir visitar a sua irmã.
Repente, ela fica parada, quase uma estátua, mexida.
Joanna atende a porta correndo, supondo pelo tipo de batida, ser a mão de Vini a bater em sua porta. Sua mãe: _ Quê isso, menina?! Assim você acaba caindo!
Vini: _ O que você disse pra Mel?
Joanna: _ O que? Vini…
Vini: _ O que foi? Mel, que tipo Ed relação você acha que ainda pode ter comigo, depois de tantos anos que eu simplesmente te ignoro?
Joanna: _ Vinícius… _ gira sobre seus pés, com os olhos umedecidos: _ Eu tentei, tentei muito te esquecer. Eu disse a mim mesma que isso que eu sentia era irracional, portanto não devia mais ser real. Eu tentei me apaixonar por alguma outra pessoa. Mas é você que eu amo. Olha eu, de novo, te dizendo as coisas de uma maneira melodramática esperando que isso te toque! Eu sou patética, mesmo!
Vini: _ Não. Não é assim. Pára de agir como se eu tivesse tanta importância. Assim você sempre me sufoca. Mesmo que eu gostasse de você, eu não suportaria ser o que eu sou pra você. Ninguém consegue suportar uma coisa dessas.
Joanna: _ Então… _ animada: _ Você acha que… se eu ficar mais contida… eu tenho alguma chance?
Vini: _ A verdade é que eu não sei, Jo. Essa é a fase mais confusa da minha vida. Eu estou me chocando comigo mesmo. Eu estou descobrindo o que resulta me colocar frente a outras situações. E até agora isso não me levou a nada.
Joanna: _ Eu disse pra Mel tudo que eu penso dela, e meus pensamentos não são da sua conta.
Vini: _ Eu vou pra casa!
Joanna o segura com a voz: _ Você gosta dela?
Vini: _ Se eu gostar, também não é da sua conta. _ sai
Joanna fecha a porta e reflete: _ Ele me chamou de Jo!
“Na verdade, a gente quase nunca sabe o quanto somos importantes para as pessoas. Isso porque nunca demonstramos o quão elas são importantes para nós, porque temos medo de nos mostrarmos frágeis e dependentes, como somos. Vivemos a nossa vida num fingimento de seres auto-suficientes. Uma pessoa que consegue mostrar o quanto alguém é importante pra ela é algo assustador nos dias de hoje. Por que nós, seres humanos, temos tanto medo de dar o valor mais alto merecido aos nossos sentimentos em nossas vidas? Talvez por isso o mundo esteja como está, com as pessoas pressionadas a esconderem o que sentem explodindo por aí e outras que escondem esses sentimentos por trás de ódio e sangue. Por que ser frio e sem coração é considerado mais forte que ter sentimentos e demonstrá-los?”

5 – Novos Amigos.“A gente só consegue realizar nossos sonhos quando encontramos quem nos ajude com eles.”Vini acorda com seu celular tocando. Ele atende.
_ Aleph?!
_ Ow, hoje é domingo, então eu estava pensando em te chamar pra gente tocar um pouco hoje na minha garagem. Mas não é pra você fugir.
Vini: _ Pára de graça! _ “É, para de me deixar sem graça!”.
Mel se encontra com Fabrício na feira de domingo.
Mel: _ Oi, Fabrício, como vai?
Fabrício: _ Mal, minha mãe me acordou cedo pra vir comprar coisas pra ela na feira e nem fez cerimônia quanto a isso. Eu nem moro mais com ela, mas ela continua me ligando pra eu fazer coisas pra ela… E aqui não tem nada alcoólico, nem sequer garapa de cana tem aqui!
Mel ri.
E então ela diz, esperando como resposta um “nada” habitual: _ E então, o que você fez ontem à noite? _ “‘Nada’ habitual se refere à nossa educação de responder de maneira simples, fingindo que estamos respondendo, mas na verdade estamos fugindo disso. Então, nada é ‘não responderei’ em eduquês. Isso funciona pra maior parte da sociedade, mas às vezes a gente comete a gafe terrível de responder a uma pergunta.”
_ Bem. Eu saí com umas garotas, com uns rapazes, mas só “fiquei”. Então, por que a pergunta?
Mel: _ Aconteceu alguma coisa. Por que você está respondendo a estímulos sonoros vocais tão bem?!
Fabrício: _ Mel… eu estou preocupado com ele. _ sobre Vini.
Mel: _ E a sua preocupação por estar preocupado, obviamente, é maior do que a própria preocupação.
Fabrício: _ Mel, pra mim está passando a ser você ou ele. Eu estou me tornando ridículo.
Mel: _ Não se engane. Você sempre foi ridículo. Pelo menos dessa vez você está achando que é você que está entre mim e ele e não que eu estou entre você e ele.
Fabrício: _ Você quer sair hoje à noite?
Mel: _ Quero. E vou sair. Com umas amigas.
Fabrício: _ Por que você está me tratando assim?
Mel: _ Olha, obrigada por ter ido visitar a minha irmã comigo ontem. Você foi um amor. Mas você não tem ideia de como é difícil ver ela. E eu sei que você está falando comigo pensando nisso, e isso me faz pensar também, e dói de novo.
Fabrício: _ Vamos sair, então, você, eu e o Vinícius. Talvez a Pollyana.
Mel: _ O mundo não é o espaço compreendido entre a entrada da frente do Popcorn e a dos fundos. Estude geografia.
Fabrício: _ E as suas amigas podiam sair conosco. Você apresenta elas pra gente.
Mel: _ Liga pra ele.
Joanna se olha no espelho experimentando umas roupas novas sexy, para Vini.
“Minha vizinha ainda não percebeu que as pessoas tem que gostar da gente pelo que somos, e não que devemos mudar pra fazer elas gostarem da gente. Gente não-natural não é interessante.”
Vinícius atende o telefone animadíssimo ao ver quem está ligando: _ Mel! _ “Que ridículo!”
Mel constrangida pela animação dele: _ Oi Vini, tudo bem?
Vini: _ Melhor agora. _ “Tá certo que a gente fica bobo quando está apaixonado, mas eu sou o cúmulo.”
Mel: _ Vini, por favor, maneira com isso.
Vini muito constrangido: _ Desculpa.
Mel: _ Então, eu e o Fabrício estávamos pensando em sair hoje à noite, eu vou levar umas amigas e você pode levar a Joanna. _ “Dois homens e um porção de mulheres? Qual é o plano?”
Vini: _ Onde a gente vai? _ com receio de outra boate.
Mel: _ Sei lá, pode ser na sorveteria perto do Popcorn mesmo. _ percebendo o receio dele.
Vini: _ Ah, acabei de me lembrar! Eu vou me encontrar com uns amigos, então não sei se vai dar tempo.
Mel: _ Seus amigos podem ir também.
Vini: _ Falou, então, Mel!
Ela: _ Falou. _ e desliga.
Vini para si: _ A Mel e o Fabrício só andam juntos o tempo todo?
Na feira, Fabrício pergunta a Mel: _ Você acha que esses amigos são uma desculpa, pra não sair com a gente?
Mel: _ Por que, ele não pode ter outros amigos?
Fabrício: _ Claro que si, é só que… eu achei que não tivesse.
Mel: _ Não quebre seu coração por nada, amorzinho. _ brincando.
Fabrício fica bravo com ela, mas se recompõe: _ E então, você acha que o Vini gosta mesmo de você ou ele é só gay que não se aceita e finge pra si mesmo que gosta de você pra não aceitar que gosta de mim?
Mel: _ Vai te catar, carinha! _ E o deixa.
“Espera aí! Que tipo de número de eventos aleatórios levou a isso? Eu estou ‘tipo’ sendo disputado, minha atenção sendo disputada?!”.
Mais tarde, Vinícius estava vendo a banda de Aleph tocar. Ele fica obervando, embalado.
_ Me mostre do que você é capaz. _ É o guitarrista que está chamando Vini, com a guitarra estendida.
Vini: _ Melhor não.
Aleph, em tom ameaçador: _ Melhor sim.
Vini corre e pega a guitarra.
_ Então, o que vocês querem de mim? Mozart, Beethoven?
Eles o olham estranhando.
_ Foi só uma brincadeira.
Uma moça, a vocalista, fala com ele: _ Não liga se eles são esse tipo de pessoas que não conhece música clássica nem de nome. E eu sei que você só conhece de nome. Então, toca aí alguma coisa, qualquer coisa.
_ Qual é o seu nome?
_ Carolina.
Vini: _ Eu esperava que você dissesse Ana Júlia, ou Raimunda, alguma coisa que tivesse uma música, Amélia já servia.
Aleph: _ Vinícius!!! Você pode ir parando, você está evitando de tocar. Acompanha a gente. _ faz um sinal com a mão apontando os colegas e todos começam a tocar.
Vini fica parado, com a guitarra dependurada, os olhando. Então ele começa a dedilhar, e fecha os olhos. “Que sensação é essa? É assim que pessoas realizadas se sentem? Eu estava sendo realizado, a realização de ter a coragem de tentar tocar no ritmo de um grupo de pessoas bem-entrosadas, um grupo no qual eu era um estranho. Coragem é uma sensação poderosa.”
Após o fim da música.
Carolina: _ Caramba, você toca muito bem! Claro, ainda precisa de prática, mas você vai longe.
Ele olha de novo no relógio, enquanto agradece: _ Obrigado!
Aleph: _ Tudo bem? Você tem algum compromisso, você não parou de olhar no relógio um segundo!
Vini: _ É. Eu combinei de sair com uns amigos.
Aleph: _ Tudo bem, pode ir, se você prometer voltar.
Vini hesita em convidá-los, mas respira fundo e vai: _ Na verdade, eles me falaram que eu podia convidar vocês.
Aleph: _ E você não ia fazer isso.
“Eu iria me sentir deslocado em dois grupos ao mesmo tempo, seria um recorde. Talvez tocar seja o máximo de coragem que eu possa exigir de mim. Talvez eu esteja me subestimando.”
Vini: _ Claro que eu iria. É que eu não sabia se vocês iam querer. _ “Estranha essa coisa de afinidade. Eu tenho muito mais com os meus colegas do Popcorn. Se fossem eles, eu contaria toda a verdade. Não, não é bem isso. A verdade é algo que eu gostaria de sempre poder usar. Mas eu mudei um pouco! Antes eu contaria tudo pra ser entendido e facilitar as coisas pra mim, mas agora eu só conto para os meus amigos Fabrício e Mel porque aprendi que não é bom confiar em todo mundo o tempo todo de cara. Mas então será que essa mudança que eu tive sem perceber é pro bem ou pro mal?”
Caroline: _ Onde vocês vão?
Vini: _ Sorveteria.
Caroline beija Aleph: _ Vamos. Eu to doido num sorvete, agora que ele falou.
Aleph: _ A gente vai.
Vini: _ Só vocês dois? _ olha o resto da banda. Um guitarrista e um bateirista.
Eles negam de ir.
Carolina, Vini e Aleph encontram os outros sentados numa mesa ao ar livre da sorveteria. Mel apresenta a outra moça: _ Essa é Pollyana, ela fez faculdade comigo.
Vini se sentando, junto com os outros: _ Você fez faculdade, Mel?
Fabrício: _ Então vai ser assim? Tudo que for dito, você vai fazer se voltar pra Mel?
Vini fica encabulado.
Aleph: _ Então você e ela tem alguma coisa?
Mel e Vini juntos envergonhados: _ Não. Não.
Carolina: _ Môr, para de constranger eles!
Aleph: _ eu não sabia.
Fabrício: _ Hum, vocês são um casal! Então, Pollyana, você prefere que eu ou o Vini façamos com você como fazemos com o sorvete na colher. – e lambe a colher.
Mel estapeando ele: _ Fabrício!
Pollyana: _ Na verdade, eu prefiro os dois ao mesmo tempo.
Fabrício: _ Mel, porque você não nos apresentou sua amiguinha, se é que é só isso, antes.
Aleph cochicha com Vini: _ Agitados, seus amiguinhos, não?
Mel: _ Deu pra ouvir tudo que você falou. Desculpa, eu sei que vendo o Vini não dá pra imaginar que os amigos dele sejam… felizmente a Joanna não está aqui.
Vini: _ Felizmente.
Carolina: _ Coitada, não falem pelas costas dela.
Pollyana: _ Essa Joanna é sexy?
Mel: _ Tá bom, Pollyana, na escola você não era assim. Não pensei que outside você fosse assim uma Fabrício II.
Fabrício: _ Bom pra ela. E ela vai adorar saber que eu e o Vini nos beijamos, assim eu, ela e ele podemos brincar juntos. Será que tem sorvete de tequila?
Vini: _ Fabrício, você consegue manter sua vida pessoa dentro da sua cueca e da sua mente?
Fabrício: _ Se você quiser, eu posso manter minha vida pessoa até dentro da sua cueca, até dentro de você. Basta querer.
Aleph: _ Então, Vini, você é bissexual? _ tentando acalmar os ânimos
Vini: _ Não vamos pôr rótulos nas pessoas. Eu sou um humano de corpo masculino, só isso.
Fabrício: _ Um humano de corpo masculino apaixonado pela humana de corpo feminino Mel.
Vini: _ Eu não devia ter começado a sair com vocês! _ bravo, vai saindo.
Pollyana: _ Eu acho que ele está certo, sobre seu corpo. _ acariciando o ombro de Mel.
Fabrício: _ É assim que vai ser? Eu sou a pessoa que mais te compreende, e você vai ficar emburrado por uma coisinha dessas, é Vini?
Vini bravo, brigando: _ É. Se eu te conto uma coisa, eu não espero que você saia por aí com um megafone gritando.
Fabrício: _ Pra começar, eu não precisaria gritar se eu tivesse um megafone. _ entrando na briga.
Mel, Carolina e Aleph ficam embaraçados. Pollyana gosta de ver.
Vini: _ Você se acha muito engraçado, não se importando de fazer com as pessoas quaisquer coisas, sem pedir permissão nem nada pra elas. Como quando você me beijou ou agora contando tudo isso pra Mel, ou você e ela no telefone tentando decidir meu destino!
Fabrício: _ Eu gosto de você, ok? E eu gosto do meu jeito de agir, sem me preocupar com ninguém além de mim mesmo. Então ou você me aceita como eu sou ou cai fora!
Vini: _ É. É isso mesmo. _ para Aleph e Carol.: _ Desculpa, pessoal. _ vai embora.
Mel: _ Espera, Vini. _ Ele não espera.
_ Eu vou embora, você bem, Polly? _ Mel pergunta.
Pollyana: _ Vou, né. Num tem outro jeito.
Saem sem se despedir de ninguém.
Aleph: _ Falou, cara, até! _ para Fabrício, e ele e Carol saem. Fabrício fica, só, bravo.
“É disso que as relações humanas são feitas. De conflitos de personalidades. Algumas vezes esses conflitos podem resultar em amor, outras vezes em ódio, ou até mesmo indiferença. De qualquer forma, quanto menos se está preparado para um choque entre o seu jeito de pensar em o jeito de pensar de uma outra pessoa, choque que vai ocorrer em alguma ocasião especial, quanto menos se está preparado, maior é a chance de agirmos como se o nosso jeito fosse o certo. Maiores as chances de ser tudo ou nada, de não aceitar conversas pra achar um meio termo. Eu, na primeira vez que vivi esse choque, corri com muita força na direção de acreditar que eu era o certo. Não havia certo. Era o meu jeito. E era o jeito dele. E eu iria me arrepender de ser tão extremo.”

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